Usuários do Google Chrome vêm relatando uma surpresa desagradável: a presença de um arquivo de 4GB chamado weights.bin em suas pastas do navegador. O responsável é o Gemini Nano, modelo de IA embarcado no Chrome desde 2024, que, ao ser ativado, baixa o arquivo automaticamente para viabilizar funções como detecção de golpes, assistência de escrita e sugestões.

O que está acontecendo

O Gemini Nano foi projetado para rodar localmente, evitando o envio de dados sensíveis para a nuvem. Essa abordagem traz benefícios de privacidade, mas tem um custo: o modelo precisa armazenar seus parâmetros de treinamento no próprio dispositivo. O resultado é um arquivo volumoso — até 4GB, segundo relatos e confirmação do Google — que pode ser baixado sem notificação explícita sobre o tamanho.

A descoberta pegou muitos de surpresa. Usuários notaram a redução repentina no espaço livre em disco e, ao investigar, identificaram o arquivo na pasta OptGuideOnDeviceModel do Chrome. Mesmo que o arquivo seja removido manualmente, o navegador o baixa novamente se as funções de IA permanecerem ativas. A única forma definitiva de impedir o download é desabilitar a IA local nas configurações (Settings > System > On-Device AI).

Transparência e controle

O Google admite que o tamanho do Gemini Nano pode variar conforme atualizações, mas essa informação está enterrada em documentação técnica, não apresentada ao usuário no momento da ativação dos recursos. A empresa afirma que, desde fevereiro de 2026, tornou mais fácil desabilitar e remover o modelo nas configurações do Chrome. Segundo o porta-voz Scott Westover, “o modelo será automaticamente desinstalado se o dispositivo estiver com poucos recursos” e, uma vez desabilitado, não será baixado novamente.

Apesar da promessa de privacidade, a ausência de transparência sobre o impacto em armazenamento gerou insatisfação. Usuários esperam ser avisados sobre exigências desse porte — e, idealmente, poderiam escolher entre IA local e opções baseadas em nuvem, considerando suas necessidades de espaço e privacidade.

O que falta esclarecer

Fica a dúvida sobre a frequência de atualização do arquivo e se usuários em dispositivos com menos capacidade terão problemas recorrentes. O Google não indica se haverá mudanças na forma de notificação ao usuário nem se pretende oferecer alternativas de uso para quem não pode ou não quer ceder 4GB do disco ao Chrome.

Para usuários atentos ao espaço em disco, vale revisar as configurações do navegador e considerar desativar recursos de IA local se o armazenamento for uma preocupação. O caso expõe o atrito entre avanços em privacidade e a experiência do usuário — e reforça a importância de escolhas informadas.

Fonte: The Verge

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