A relação entre a geração Z e a inteligência artificial está mudando nos Estados Unidos. Pesquisa da Gallup divulgada em 9 de abril de 2026, encomendada pela Walton Family Foundation e GSV Ventures, mostra que jovens de 14 a 29 anos reduziram o entusiasmo inicial pela tecnologia e passaram a demonstrar mais ceticismo e ansiedade diante do avanço da IA em suas vidas, escolas e empregos.
Estagnação na adoção e aumento do ressentimento
O uso semanal de IA entre a geração Z chegou a 51%, mas o crescimento desacelerou: alta de apenas quatro pontos percentuais em um ano. Mais marcante é a queda no otimismo. Sentimentos de empolgação e esperança em relação à IA caíram 14 e 9 pontos, respectivamente. O ressentimento cresceu: 31% dos jovens agora relatam sentir raiva em relação à tecnologia, contra 22% no ano anterior. A ansiedade permanece elevada, com mais de 40% dos jovens relatando desconforto com os rumos da IA.
Temores no mercado de trabalho
Quase metade dos jovens trabalhadores (48%) vê mais riscos do que benefícios na presença da IA no ambiente profissional — um salto de 11 pontos em um ano. O reconhecimento de que as ferramentas de IA aceleram tarefas ainda é majoritário (56%), mas vem em queda (menos 10 pontos desde 2025). O contraponto: 80% dos entrevistados acreditam que depender da IA para ganhar velocidade dificultará o aprendizado futuro. A confiança na IA como alavanca de produtividade está em declínio.
Escolas endurecem, alunos desconfiam
O ambiente escolar acompanha a tendência. Três em cada quatro escolas já têm políticas para uso de IA, segundo os próprios alunos — avanço de 23 pontos em um ano. O acesso às ferramentas cresceu, mas a cautela também: 41% dos estudantes acreditam que a maioria dos colegas faz uso indevido de IA em trabalhos acadêmicos. O clima é de desconfiança e percepção de desonestidade acadêmica.
Preferência por pessoas, não por máquinas
Apesar de familiaridade digital, a geração Z americana prefere serviços conduzidos por humanos. Menos de 20% escolheriam IA para funções como tutoria, aconselhamento financeiro ou atendimento ao cliente. A maioria valoriza o contato humano e desconfia da automação em tarefas que envolvem confiança ou julgamento subjetivo.
Sinais para educadores e empresas
A pesquisa indica que a geração Z não rejeita a IA em bloco, mas pede mais cautela e transparência na integração da tecnologia ao cotidiano escolar e profissional. O desafio, segundo a Gallup e a Walton Family Foundation, é ouvir e adaptar políticas para garantir confiança, motivação e preparo dos jovens em um mundo cada vez mais automatizado.
Leia a íntegra da pesquisa no site da Walton Family Foundation.