A discussão sobre como obter respostas mais úteis de LLMs ganhou um novo capítulo em maio de 2026. Thariq Shihipar, da equipe Claude Code da Anthropic, publicou um texto defendendo o uso do HTML como formato de saída preferencial ao solicitar respostas do Claude. O argumento central: HTML oferece um grau de expressividade e interatividade impossível de alcançar com Markdown.
Da eficiência de tokens ao valor da experiência
Historicamente, muitos usuários se habituaram a pedir saídas em Markdown. O motivo era técnico: modelos como GPT-4, com janela de contexto limitada (8.192 tokens), beneficiavam-se de formatos mais compactos para economizar tokens. Porém, com context windows mais amplas e modelos como Claude Code, a limitação perdeu peso. O HTML, antes visto como “caro” em tokens, passa a ser viável e traz vantagens concretas.
Segundo Shihipar, pedir HTML permite que Claude produza respostas com diagramas SVG, widgets interativos, navegação interna na página e outros recursos que tornam o conteúdo mais navegável e didático. Exemplos reunidos no próprio artigo ilustram prompts que pedem, por exemplo, análises de pull requests com diffs renderizados, anotações coloridas e explicações em múltiplos níveis de detalhe.
Do Markdown ao HTML: experimentos práticos
Simon Willison relata ter mudado sua abordagem após ler o artigo: passou a pedir HTML como formato padrão para respostas longas ou técnicas. Em um experimento, pediu que GPT-5.5 explicasse um exploit de Linux usando HTML, CSS e JavaScript para tornar o conteúdo mais claro e interativo. O resultado, segundo Willison, foi uma página “bastante boa”, embora destaque a necessidade de ajustar o prompt para enfatizar detalhes críticos do exploit, não apenas a estrutura do código.
O que ainda não está resolvido
Apesar do entusiasmo, há ressalvas. O uso de HTML pode ser excessivo para respostas simples e há risco de gerar páginas pesadas ou com elementos desnecessários. Além disso, nem toda aplicação ou chat suporta HTML de forma segura, o que exige cautela na adoção ampla desse padrão.
Para desenvolvedores e engenheiros de prompt, a discussão sinaliza uma mudança de paradigma: na era dos LLMs com contexto expandido, pedir saídas em HTML pode desbloquear explicações mais ricas e interativas — desde que o uso seja criterioso e alinhado ao objetivo da tarefa.