O banco global BBVA anunciou uma aliança estratégica com a OpenAI para integrar inteligência artificial em todas as camadas do grupo, da experiência do cliente à operação interna. O movimento, que começou em 2024 com a adoção inicial do ChatGPT Enterprise por 3.000 funcionários, ganhou escala e hoje envolve mais de 100 mil colaboradores usando a ferramenta no mundo todo, segundo informações da OpenAI.
IA como eixo da transformação bancária
A parceria evoluiu para uma colaboração de longo prazo, com equipes conjuntas de engenharia, pesquisa e produto, e culminou na criação do programa “The Eight” — um roadmap de transformação para redesenhar o banco ao redor de IA. O objetivo é reimaginar desde a experiência do cliente até operações, gestão de risco, desenvolvimento de software e produtividade dos funcionários.
A abordagem do BBVA não trata a IA como um projeto isolado, mas como infraestrutura transversal. Isso inclui desde assistentes financeiros baseados em IA que antecipam necessidades dos clientes, até automações de processos internos e ferramentas de apoio à tomada de decisão para analistas e gestores.
Adoção massiva e governança
A adesão à IA foi estruturada em três pilares: confiança, governança e aprendizado. O banco priorizou a integração segura, com envolvimento direto das áreas de segurança, compliance e tecnologia desde o início. Em vez de permitir experimentação solta com ferramentas abertas, o BBVA optou por fornecer acesso corporativo ao ChatGPT Enterprise, somado a programas formais de capacitação.
Foram criadas redes internas de “AI champions” e “wizards” para disseminar casos de uso e apoiar a adoção nos times. A liderança também foi capacitada: 250 executivos, incluindo CEO e chairman, receberam treinamento específico, e membros do comitê executivo estão entre os usuários mais ativos da plataforma.
O resultado é uma das maiores implantações de IA generativa no setor financeiro global: cerca de 70% de uso ativo mensal, com economia média de 3 horas por colaborador por semana e ganhos de até 80% de eficiência em fluxos selecionados.
20 mil GPTs internos e casos práticos
A estratégia do BBVA incluiu incentivar a customização. Funcionários criaram mais de 20 mil GPTs internos — versões personalizadas do ChatGPT focadas em fluxos específicos de áreas como jurídico, risco, atendimento, finanças e marketing. Destas, cerca de 4 mil são usadas regularmente em todo o grupo.
Um dos exemplos citados é o Credit Analysis Pro GPT, voltado para avaliação de risco de crédito. Ele automatiza a extração e análise de dados não estruturados de relatórios anuais, divulgações ESG e cobertura de mídia — tarefas antes manuais e demoradas, liberando analistas para trabalhos de maior valor agregado.
Por que importa
A escala da adoção do ChatGPT Enterprise no BBVA mostra que IA generativa já não é piloto experimental em bancos globais: virou peça central de produtividade e diferenciação. O modelo de governança, treinamento e customização em larga escala pode servir de referência para instituições financeiras no Brasil e na América Latina que buscam acelerar a integração de IA sem abrir mão de compliance e segurança. O movimento também pressiona concorrentes a avançar além de POCs e pilotos isolados para transformação estrutural.