A OpenAI publicou, em 25 de junho de 2026, um relatório detalhando como agentes baseados no Codex passaram a ser a principal ferramenta de trabalho na empresa e em sua base de usuários. Segundo a companhia, a adoção de agentes — sistemas capazes de executar tarefas longas e autônomas — superou rapidamente o uso tradicional de chatbots, mudando o padrão de produtividade dentro e fora da área técnica.

Da interação pontual ao trabalho delegado

Historicamente, chatbots como o ChatGPT eram utilizados para interações rápidas e isoladas. Agentes como o Codex, no entanto, são capazes de operar de forma independente por minutos ou horas, coordenando chamadas de ferramentas, interagindo com ambientes e iterando até chegar a soluções completas. Isso mudou o “padrão unitário” do trabalho de conhecimento: o que antes era visto como uma sequência de pequenas tarefas agora pode ser delegado de ponta a ponta para um agente.

Segundo o relatório, até agosto de 2025, menos de 10% dos tokens gerados por funcionários da OpenAI vinham do Codex. A partir de abril de 2026, todas as áreas — inclusive departamentos não técnicos como Jurídico e Recrutamento — passaram a adotar o Codex como principal ferramenta de IA. Atualmente, mais de 85% dos tokens de saída gerados por funcionários vêm de agentes Codex, chegando a 99,8% do total semanal produzido dentro da empresa.

Tarefas mais longas e complexas

Entre maio e junho de 2026, 80,6% dos usuários individuais analisados fizeram pelo menos uma solicitação ao Codex estimada em mais de 30 minutos de trabalho humano. Destes, 70,2% realizaram requisições equivalentes a mais de uma hora de trabalho, e 25,6% delegaram tarefas que ultrapassariam oito horas. O uso intensivo também aparece entre os 1% mais ativos: esses usuários chegam a gerar mais de 60 horas de “turnos de agente” por dia, distribuídos em múltiplos agentes paralelos.

A tendência de migração para tarefas longas é clara. O relatório indica que, à medida que o Codex ganhou capacidade de rodar tarefas independentes e de longo contexto, os usuários passaram de interações rápidas para projetos mais difíceis e de maior fôlego. O uso se intensificou em todos os departamentos: entre novembro de 2025 e junho de 2026, a área de Pesquisa aumentou o uso de tokens em 56 vezes, Suporte ao Cliente em 32 vezes, Engenharia em 27 vezes e Jurídico em 13 vezes.

Adoção acelerada por áreas não técnicas

Embora o Codex tenha surgido como uma ferramenta para desenvolvedores, o crescimento mais acelerado em 2026 foi entre usuários não técnicos. Desde agosto de 2025, o número de usuários individuais não desenvolvedores multiplicou-se por 137, em organizações por 189, e dentro da própria OpenAI por 12 vezes. Além de usar agentes para tarefas administrativas, esses grupos passaram a executar automações, análise estruturada de dados e até scripts de programação — atividades antes restritas ao time técnico.

O relatório enfatiza que a transição foi especialmente rápida em áreas como Jurídico, Finanças e Recrutamento, que só migraram para o Codex como principal ferramenta em abril de 2026, mas já superam 85% do volume de tokens gerados nessas funções.

Codex vira padrão de produtividade interna

O cenário descrito pela OpenAI aponta para uma transformação estrutural no uso de IA no ambiente corporativo. O Codex deixou de ser uma ferramenta pontual para desenvolvedores e se tornou o “motor central” das operações internas. A delegação de fluxos inteiros de trabalho para agentes, com autonomia para executar tarefas de longa duração e orquestrar múltiplas ferramentas, marca uma nova fase da automação no conhecimento.

A tendência, segundo os dados apresentados, é que o modelo de agente se consolide como padrão para produtividade baseada em IA, especialmente à medida que suas capacidades se expandem e se tornam acessíveis a públicos cada vez mais amplos.

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