O Tribunal de Apelações de Washington, D.C., confirmou em 25 de setembro de 2026 a decisão do Departamento de Defesa dos EUA (DOD) de classificar a Anthropic como risco à cadeia de suprimentos. A medida impede que a empresa forneça seus modelos Claude para o próprio DOD e para contratadas do setor de defesa, encerrando, ao menos por ora, qualquer participação formal da Anthropic em projetos militares federais dos EUA.Fonte: CNBC.
Impasse e ruptura
O episódio marca o ápice de um impasse iniciado em julho de 2025, quando a Anthropic assinou contrato de US$ 200 milhões com o Pentágono. As negociações para uso do Claude na plataforma GenAI.mil travaram em setembro daquele ano. O DOD exigiu acesso irrestrito aos modelos para todos os fins legais, enquanto a Anthropic buscava garantias de que sua tecnologia não seria empregada em armamentos autônomos ou vigilância doméstica em massa. Sem acordo, o Departamento de Defesa classificou formalmente a Anthropic como ameaça à segurança nacional em março de 2026.
A decisão do tribunal, por maioria de 2 a 1, rejeitou o argumento da Anthropic de que a medida era arbitrária e inconstitucional. O juiz Gregory Katsas, acompanhado por Neomi Rao, sustentou que havia base legal para a preocupação do DOD quanto ao risco de integração dos modelos Claude em sistemas militares críticos. O voto dissidente da juíza Karen LeCraft Henderson não impediu a manutenção da restrição.
Efeitos práticos e reação
A classificação de risco exclui a Anthropic, na prática, de contratos federais ligados à defesa, e proíbe fornecedores do Pentágono de integrar modelos Claude em soluções para o governo. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, tornou-se alvo frequente de críticas públicas do presidente Donald Trump, que relacionou o bloqueio à necessidade de evitar “más ações” por parte de empresas de IA. A empresa afirma que seguirá buscando reversão judicial, já que outra corte federal — em San Francisco — considerou uma designação paralela ilegal no mês anterior.
O tribunal de apelação concedeu prazo para que a Anthropic recorra à própria corte ou ao Supremo Tribunal dos EUA, antes que a decisão produza efeitos imediatos.
Contexto: IA e defesa nos EUA
Até o início do conflito, a Anthropic era considerada parceira estratégica do governo federal, com atuação em múltiplas agências. O embate com o Departamento de Defesa reflete o aumento da tensão entre fornecedores de IA e autoridades militares, especialmente no debate sobre limites éticos e operacionais para uso de LLMs em contextos sensíveis.
A disputa ilustra a dificuldade de conciliar interesses comerciais e preocupações de segurança nacional. O DOD, sob o comando do secretário Pete Hegseth, defendeu que a recusa da Anthropic em liberar o Claude para todos os usos legítimos ameaçava o controle operacional das Forças Armadas. A Anthropic, por sua vez, alegou que não pretendia “vetar” decisões militares, mas evitar usos incompatíveis com seus princípios públicos.
Por que importa
A decisão solidifica uma linha dura do governo dos EUA sobre o controle de fornecedores de IA em projetos sensíveis, com impacto direto para empresas que buscam contratos públicos no setor. Para o mercado, o caso serve de alerta sobre os riscos de embate regulatório e político ao negociar restrições de uso de modelos em contextos militares. O bloqueio à Anthropic pode reconfigurar o mapa de fornecedores de IA para defesa, favorecendo empresas mais alinhadas às exigências do Departamento de Defesa.