A OpenAI anunciou, em 11 de junho de 2026, sua adesão ao Código de Prática sobre Transparência de Conteúdo Gerado por IA publicado pela Comissão Europeia. O movimento reforça o compromisso da empresa em apoiar padrões de proveniência e transparência, alinhando-se ao avanço regulatório promovido pelo AI Act da União Europeia.
O que muda na prática
Desde 2024, a OpenAI já incorporava metadados C2PA em imagens geradas pelo DALL·E 3, tanto no ChatGPT quanto na API. A empresa ampliou o uso de sinais de proveniência, incluindo também marcas d’água (SynthID) em imagens produzidas por suas plataformas. Além disso, mantém uma ferramenta pública de verificação — openai.com/verify — para checar a presença desses sinais em arquivos de imagem.
A adesão formal ao Código de Prática representa um passo adicional, mas incremental, na política da OpenAI para o mercado europeu. A empresa foi a primeira dos EUA a firmar o General-Purpose AI Code of Practice em 2025, e agora reforça sua disposição em se adaptar às exigências do bloco para garantir maior transparência sobre a origem e manipulação de conteúdos digitais.
O desafio da proveniência
A OpenAI reconhece que a rastreabilidade de conteúdo gerado por IA ainda enfrenta limitações técnicas. Metadados podem ser removidos ou perder-se em processos de upload, download ou conversões de formato. Marcas d’água, embora mais resilientes, também degradam com manipulações sucessivas. Por isso, a empresa adota uma abordagem “multi-camadas”, combinando diferentes técnicas e colaborando com coalizões como a C2PA para fomentar padrões interoperáveis.
Alinhamento com regulação europeia
O Código de Prática é um desdobramento do AI Act, legislação que busca criar um ambiente digital mais confiável. A OpenAI afirma que continuará ajustando seus produtos para cumprir as exigências aplicáveis, em cooperação com o AI Office, Estados-membros e o ecossistema europeu de IA.
A iniciativa mira não só a transparência para o usuário final, mas também a integridade do ecossistema digital, contribuindo para o combate à desinformação e à manipulação em contextos sensíveis como eleições.
Por que importa
Para empresas e desenvolvedores brasileiros que atendem clientes na Europa ou lidam com exportação de conteúdo digital, o movimento sinaliza a consolidação de padrões técnicos — como metadados C2PA e ferramentas de verificação abertas — que tendem a se tornar exigência regulatória. A adesão da OpenAI reforça o caminho da interoperabilidade e da governança coletiva, mas também evidencia as limitações práticas das soluções atuais. O mercado nacional deve acompanhar a evolução desses padrões, já que a pressão regulatória europeia costuma antecipar exigências globais.