A OpenAI e a Grab anunciaram, em 23 de setembro de 2026, o lançamento do GO Forward with AI, um programa regional de capacitação em inteligência artificial voltado para motoristas, entregadores e comerciantes parceiros da Grab no Sudeste Asiático. A iniciativa prevê treinar 30 mil participantes ao longo dos próximos dois anos, começando por Singapura e expandindo para Tailândia, Indonésia e Filipinas ainda em 2026, com Malásia e Vietnã previstos para 2027 fonte.

Capacitação prática para o cotidiano

O programa foi desenhado para oferecer oficinas presenciais de meio período, baseadas no currículo da OpenAI Academy e adaptadas às necessidades locais. Os treinamentos abordam desde o uso do ChatGPT em tarefas diárias — como análise de vendas, planejamento de promoções e elaboração de planos de expansão — até atividades mais avançadas, como criação de dashboards e sites simples. O objetivo é mostrar aplicações concretas da IA para quem atua na economia de plataforma ou gerencia pequenos negócios.

Segundo pesquisa interna da Grab em Singapura, metade dos motoristas e entregadores já utiliza ferramentas de IA, sendo o ChatGPT a mais conhecida. Entre os que ainda não usam, 87% demonstraram interesse em experimentar. Muitos participantes buscam formas de alavancar ou iniciar negócios próprios, usando IA para automatizar decisões e identificar oportunidades.

Parceria com histórico

A colaboração entre OpenAI e Grab não é inédita. Desde 2024, as empresas trabalham juntas, incluindo o desenvolvimento do Driver AI Assistant, que já atende cerca de 500 mil motoristas, ajudando a identificar demanda e responder dúvidas do dia a dia. O novo programa amplia esse escopo, focando na autonomia dos participantes para aplicar IA em seus próprios contextos e negócios.

O treinamento contará também com a formação de instrutores locais via GrabAcademy, o que deve facilitar a disseminação do conteúdo e a adaptação a realidades específicas de cada país.

Por que importa

A iniciativa marca um movimento relevante de grandes empresas de IA para além dos mercados centrais, com foco em aplicações práticas e em públicos tradicionalmente menos atendidos por capacitações tecnológicas. O modelo, se bem-sucedido, pode servir de referência para programas semelhantes em outros países emergentes e setores da economia informal, inclusive no Brasil, onde a adoção de IA por microempreendedores e trabalhadores de plataformas segue em estágio inicial.

A ênfase em oficinas presenciais, adaptadas à realidade local e com formação de multiplicadores, sugere uma abordagem pragmática para reduzir a distância entre o hype tecnológico e o uso real no dia a dia de pequenas operações comerciais e autônomas.

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