A OpenAI publicou em 12 de agosto de 2026 dois relatórios detalhando como o uso de IA corporativa está migrando de assistentes que respondem perguntas para agentes que executam tarefas completas. Empresas que lideram em adoção já produzem 8,3 vezes mais tokens por usuário ativo do que as demais, evidenciando um abismo crescente no aproveitamento prático da tecnologia [fonte].

Empresas frontier aceleram no uso de agentes

Os relatórios destacam o grupo das chamadas “frontier firms” – empresas no top 10% de uso de IA. Em junho, elas geraram 8,3 vezes mais tokens por usuário ativo em comparação com empresas típicas (percentis 45 a 55), um salto em relação à razão de 2,6 vezes registrada em janeiro. O indicador é considerado proxy do grau de profundidade com que a IA é incorporada aos fluxos de trabalho.

O fenômeno não se restringe a gigantes de tecnologia: o gap se repete em diferentes setores e portes. Entre empresas listadas nos EUA, as que adotam IA também apresentam indicadores financeiros superiores: mais ativos, mais funcionários e maior investimento em P&D.

De assistentes para agentes: o novo padrão de uso

A principal mudança captada pelos estudos é a transição do uso de IA para respostas pontuais (assistentes) para execução de tarefas inteiras (agentes). Produtos como ChatGPT Work e Codex agora são usados para buscar dados, manipular arquivos e entregar materiais prontos para revisão.

Esse movimento é visível nos dados: em junho, o Codex já respondia por 64% dos tokens gerados por clientes corporativos, superando o próprio ChatGPT. A explicação é simples: fluxos agenticos tendem a gerar mais output, pois envolvem tarefas mais longas e multifásicas.

Plugins e skills: diferencial das empresas na fronteira

O uso de recursos avançados como Plugins e skills é marcante nas empresas frontier. Entre os usuários ativos dessas empresas, 21% usam Plugins semanalmente (contra 9% nas demais), e 19% usam skills (contra 3%). Na própria OpenAI, o índice chega a 95%, indicando o potencial ainda pouco explorado fora do núcleo mais avançado.

Plugins permitem que agentes combinem instruções reutilizáveis com acesso a dados e sistemas internos, como CRMs e bases de propostas. O resultado é uma automação mais contextualizada e alinhada ao negócio.

Adoção se espalha além da engenharia

Embora a engenharia de software tenha sido o primeiro campo a adotar agentes, o crescimento mais acelerado agora ocorre em áreas como jurídico (108× mais usuários semanais de Codex desde fevereiro), vendas (41×), recrutamento (41×) e marketing (26×). O uso em engenharia também cresceu, mas em ritmo menor (5×).

Outro dado relevante: profissionais em início de carreira são os que mais adotam IA, com uso decrescendo conforme o nível de senioridade aumenta.

Por que importa

Os relatórios da OpenAI apontam que o diferencial competitivo não está mais apenas no acesso à IA, mas na capacidade de integrar agentes a dados internos, workflows e ferramentas próprias. Empresas que investem em governança, infraestrutura e treinamento conseguem capturar ganhos exponenciais de produtividade. Para o mercado brasileiro, o recado é direto: quem ficar restrito ao uso superficial de assistentes corre o risco de ser ultrapassado em escala e eficiência por concorrentes que apostam em automação agentica profunda.

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