A Univé, uma das maiores seguradoras cooperativas da Holanda, anunciou a consolidação de sua estratégia de IA com a adoção massiva do ChatGPT Enterprise. Segundo informações divulgadas em 31 de julho de 2026, a empresa já ativou 97% das licenças corporativas do produto da OpenAI, com 85% de uso semanal ativo entre colaboradores. A iniciativa engloba não apenas a implantação de tecnologia, mas uma transformação de processos e cultura organizacional pautada por liderança engajada e governança estruturada fonte.

Estruturação do rollout: liderança e governança como pilares

Diferente do padrão de projetos de TI, a Univé tratou a adoção da IA como transformação organizacional. O programa começou com sessões de liderança voltadas a repensar processos e preparar gestores para serem vetores da mudança. O foco saiu da simples aprovação de iniciativas para a criação de condições que permitissem inovação responsável em toda a companhia.

A governança foi desenhada desde o início do rollout. O modelo inclui autenticação corporativa, herança de permissões, avaliações de privacidade, processos de governança contínua e princípios claros de IA responsável. Segundo a empresa, as permissões dos agentes de IA seguem estritamente as regras dos sistemas corporativos, evitando acessos indevidos. O objetivo declarado foi criar confiança para que colaboradores experimentem a tecnologia dentro de limites bem definidos.

Engajamento dos funcionários: cultura de experimentação

Com a direção e as salvaguardas estabelecidas, a Univé incentivou os próprios funcionários a reinventar o trabalho diário. O resultado: cerca de 1.500 custom GPTs já foram criados por equipes internas para resolver desafios específicos, e centenas de horas semanais são dedicadas à experimentação com ChatGPT Enterprise e Workspace Agents. A abordagem dispensou business cases detalhados para cada projeto, privilegiando autonomia e compartilhamento de práticas bem-sucedidas.

A IA já está integrada a funções como análise de sinistros, subscrição, finanças, RH, jurídico, TI, atendimento ao cliente e gestão. No caso do seguro pet, por exemplo, um Workspace Agent prepara o dossiê do sinistro, revisa documentos, identifica pendências e elabora recomendações antes mesmo do analista humano iniciar a avaliação. O tempo de preparação, que levava horas, hoje se resume a minutos. Ainda assim, a decisão final permanece sob responsabilidade de um profissional treinado.

Na subscrição, agentes automatizados revisam filas de trabalho, agregam dados de sistemas autorizados, sinalizam riscos e organizam casos prioritários. O objetivo é liberar o tempo dos especialistas para decisões qualificadas, enquanto a IA cuida da preparação e contextualização dos casos.

Próximos passos: agentes e fluxos proativos

A Univé já explora uma segunda onda de uso de IA empresarial baseada em agentes autônomos. O plano é que esses agentes passem a preparar rotinas recorrentes de trabalho, reunindo informações de múltiplos sistemas e criando pontos de partida contextualizados antes mesmo do início do expediente. O desenvolvimento ainda está em fase de experimentação, mas sinaliza uma tendência de automação mais avançada e proativa em tarefas administrativas e operacionais.

Por que importa

A abordagem da Univé ilustra um caminho para grandes empresas que buscam ir além da adoção superficial de IA. Ao combinar liderança engajada, governança rigorosa e autonomia para os times, a seguradora conseguiu alta adesão e uso real do ChatGPT Enterprise, com impacto mensurável em eficiência e cultura de inovação. O caso reforça que, sem governança clara e espaço para experimentação, a IA corporativa tende a ficar restrita a pilotos ou uso marginal. Para o mercado brasileiro, serve de referência sobre como estruturar rollout de IA em setores regulados e de alta responsabilidade.

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